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O Guamá como eu vejo |
Posso dizer que eu não conheço todos os bairros da nossa capital, mas eu conheço alguns. E um deles é esse, o Guamá. Banhado pelo doce rio de águas barrentas, o bairro do Guamá é um belo lugar para um passeio a pé, ao luar (de preferência), ouvindo música alta no celular, andando num dos simpáticos becos da região. Acenar para os admiráveis moradores da região usando seu relógio Rolex novinho é um costume que todos os belenenses não dispensam. E quando não temos o tal relógio, basta usarmos um cordão de aço, ouro ou prata, que surte o mesmo efeito.
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Típicos guamenses |
Caso você seja de fora, uma ótima dica para reconhecer um guamense é observar o jeito que se locomovem. Um típico guamense anda sempre aos pares na bicicleta: um dirige enquanto o outro guia. Eles apreciam esse trabalho em equipe que tanto os ajuda em situações perigosas.
Se o guamense não estiver numa bicicleta, ele poderá estar em um ônibus, você o reconhecerá quando perceber que está tocando um tecnomelody em volume máximo. E você pode reconhecer um guamense a pé observando expressões linguísticas como “coe, manu tá me tirano?”, “égua, mano, diroxa podicre” e “eu sou estudanti eu”, entre muitas outras.
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Típico meio de transporte belenense |
Entretanto, a vida no Guamá não é essa maravilha toda que eu estou falando. O maior problema de lá é que as pessoas vivem apreensivas e trancadas dentro de casa por culpa do medo. Isso mesmo, medo. Os moradores hoje em dia ficam apavorados com a situação atual do bairro, pois abrigam o cemitério Santa Isabel e morrem de medo que os fantasmas, de alguma forma, saiam e assombrem o local. Apesar disso, é uma vizinhança muito tranquila e boa de viver, com pessoas simples e generosas, que sempre vêm conversar com você quando andar sozinho na rua, altas horas da noite.
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Simpática rua guamense |
As construções mais famosas do Guamá são aquelas encontradas ao longo da Avenida Bernardo Sayão. São belas construções em madeira postas sobre pequenos lagos e córregos artificiais, sustentadas por colunas de madeira trabalhada (possivelmente vinda de serrarias pouco conhecidas da Amazônia). O que mais chama a atenção nessas maravilhosas casas é a vista para o rio e o efeito que a água da chuva dá depois de acumulada nos pequenos córregos.
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Algumas das típicas residências do bairro, infelizmente, estas não se encontram na Bernardo Sayão. :( |
O bairro do Guamá é tão culturalmente importante que é uma das principais rotas de acesso à maior universidade do norte do país, a UFPA (assunto para um outro post).
E não se esqueça: Se você deseja visitar este belo local, ande sempre com seu celular, um carro sem alarme, tênis da nike, roupas de marca, usando relógios e jóias bem valiosos. Se seguir estas instruções, verá a invejável hospitalidade deste povo tão doce!
Aqui eu me despeço e deixo um grande abraço pra todas as pessoas lindas desse querido bairro da nossa capital. <3
Próxima semana: Terra Firme, a emoção de acordar todo dia.
(Lembrando que tudo citado acima foi para fins de entretenimento, por favor, não me matem, eu sou trabalhador eu)